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Yandaef, O Sono Eterno

Yandaef, o "sono amarelo", também chamado de daedal, o "sono sagrado", é uma das dádivas de Obarath, O Justo, fornecida aos alvanes que nasceram em Grosyvast.

Uma mulher de cabelos loiros dorme com duas mulheres sentadas ao lado da cama de cabeça baixa
Bela Adormecida, por John Collier (1921). Via Wikimedia Commons.
Na Era Escura dos Tempos Antigos, os alvanes foram julgados pelo assassinato de Albarin, pela coroação de Yeranvath e pelas catrástofes que trouxeram a Alvarer, à Terra dos Gigantes e à Terra Dourada. Obarath propôs que, se lutassem ao lado dos humanos contra Yeranvath, os verith os deixariam viver em paz em Grosyvast, a Terra dos Homens, até que o tempo espiasse seus pecados e, só então, poderiam retornar a Alvarer reconstruída, sua terra natal.

Quando questionado sobre aqueles que nasceriam nas Terras dos Homens e que por isso não teriam culpa pelos erros dos seus pais, Obarath acendeu uma chama dourada e iluminou todos os alvanes com sua luz. Ofereceu aos futuros filhos o Sono Eterno, uma possibilidade de viver os anos da espiação de forma inconsciente, dormindo profundamente e só acordando na hora do retorno à Alvarer. Todavia, quem optasse pelo sono teria o corpo entregue aos desejos dos verith, e como tal, poderia ser desperto para cumprir alguma missão específica.

A proposta foi aceita, e os alvanes partiram da Terra Dourada para Aragus tendo Deravil, irmão gêmeo de Darvil, como guia e conselheiro.

Os alvanes que dormiram e despertaram do Sono Eterno são conhecidos como os Filhos dos Verith (Sebhurye Veri-eth, "Pupilos dos Verith") e apresentam características físicas diferentes da sua vida anterior. Seus olhos ficam cinzentos e lacrimosos, a pele enruga-se, as unhas crescem e amarelam-se, os lábios enegrecem. Mas a característica mais notável é a brancura dos cabelos e barbas.

Um alvane pode se entregar ao Sono Eterno a qualquer momento, como aconteceu com os Primeiros Filhos. Pressionados pelos pais que queriam livrá-los da dor de viver entre os humanos, os Primeiros Filhos dormiram e foram colocados em sarcófagos de pedra ainda crianças. Deixaram apenas uma trança de cabelo escapar pelos buracos da ventilação, para que vissem quando se esbranquecesse e aí pudessem libertá-los.

É o sofrimento e a decepção com o mundo que geralmente força o alvane a renunciar a própria vida. No ano em que se passa O Sangue da Deusa, alguns personagens que escolheram o Sono Eterno, todas mulheres antes do sono, são: 

Eliaturn

Yerer da região de Guniondil. Viveu ao lado do rei alvane Mineth, suportando suas atrocidades e humilhações em silêncio. Seu nome Eliaturn, ou "Olhos d'Água", foi dado devido à cor de seus olhos, mas passou a representar o semblante choroso que ela mantinha durante os conselhos.

Dez anos após o surgimento de Nordourado (consequência do Embate Mágico entre Mineth e os Mestres da Magia), ela finalmente resolveu se rebelar, liderando três revoltas pela independência de Guniondil (agora Derordin). Os rebeldes lhe deram o nome de A Ursa devido à voracidade de seu novo comportamento a força de sua voz.

No entanto, Eliaturn jamais conseguiu a verdadeira independência de Derordin e, após o incêndio dos barcos no Lago Yonárin, só pôde imaginar um futuro cada vez mais sombrio para si e a seu povo. Voltou a temer a crueldade de Mineth e passou o cargo de yerer a seu irmão, Edenif, e entregou-se ao Sono Eterno, ou como os habitantes de Derordin gostam de chamar, à Hibernação. 

Veriah

Morava na Cordilheira de Andrus com Edeni, seu marido, próximo à Floresta dos Vultos, uma floresta assombrada. Eram um casal de alvanes videntes que optara pelo isolamento, mas bem conhecidos pelos Mestres da Magia e Ederon.

Enquanto fugiam de um grupo de uriarques, Edeni acabou sendo morto. Enlutada, sozinha e faminta, Veriah decidiu entregar seu corpo aos desejos dos verith e deitou sob as árvores da Floresta dos Vultos para dormir eternamente. Mas logo foi chamada de volta, despertando com um castiçal de chama azul brilhando ao seu lado.

Com uma nova forma, Veriah tornou-se a Dama da Noite. Com seu castiçal azul e véu pálido como a lua cheia, ela é responsável por acalmar os fantasmas da Floresta dos Vultos e guiar os viajantes que precisam passar por ali. 

Úlvir

Morava sozinha em Guniondil. Não se sabe muito sobre sua vida antes do Sono, mas sabe-se que "Nirener havia sido seu único amigo", indicando que ela já vivia ali antes da exílio do Mestre. Por algum motivo, ela decidiu dormir. Foi trazida de volta como homem e despertou com um chocalho ao seu lado e oito filhotes de lobos lambendo seus pés. Desde então, Úlvir protege os espíritos da floresta com o chocalho e os lobos, contribuindo para o florescer e frutificação da floresta.

Sireyg, um caso à parte

Em O Sangue da Deusa, Abidel menciona que era comum que os prisioneiros da Prisão das Torturas entrassem no Sono Eterno devido à fome e sede que passavam ali dentro, e o distingue do suicídio. Sireyg pode ter se inspirado na dádiva em seu ritual, embora não tenha nascido na Terra dos Homens e, por isso, não poder usá-la. Diferentemente dos Filhos dos Verith que entregam seu corpo aos Celestes, Sireyg entregou seu espírito aos espectros, à Primeira Noite, tornando-se um "ser de ódio, sem corpo físico, dominado pela maldade e pelas trevas".

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